Casa de espelhos

Exposição na CAIXA Cultural São Paulo Galeria vitrine Paulista Conjunto Nacional. Mais informações acesse www.caixa.gov.br/cultural

Nessa parede está escrito apresentação da exposição. O texto de Marcelo Rezende reproduzi aqui:
O SEGUNDO PRIMEIRO FILME
Poucas coisas são tão misteriosas quanto aquilo que se chama, ou se aprende a chamar, de “vida cotidiana”. Essa expressão guarda algumas desconfianças (a mais assustadora, a de que tudo se repete, todos os dias) e um certo número de certezas. A mais evidente, a que essa existência acontece em um determinado tempo, e em um lugar particular. Como agora, neste instante, nesta “Casa de Espelhos”. Mas aqui, nada está sendo repetido, reprisado. Trata-se sobretudo de uma interrupção.
Mas por qual razão sob o cotidiano se esconde esse fantasma da repetição? Uma resposta provável está na idéia de que na sucessão de fatos, acontecimentos de uma jornada – logo, de uma vida – se formam crenças e verdades que são apenas convenções. Nos modos de vida cotidianos se esconderia uma mentira, uma invenção pervesa fazendo com que parecesse ter sido tudo, de todas as formas, escolhido e decidido antes mesmo de alguém ter chegado ao mundo, que passa a ser sempre algo “que é”, e raramente “o que poderá ser”. As relações de dominação são o que também se repete.
Contra essa repetição, Lucia Koch faz uso de um momento de suspensão. Com “Casa de Espelhos” algo se interrompe a partir de uma experiência coletiva urbana. Este lugar não é mais que se conhece, assim como a vivência com este espaço, neste momento, não é a mesma. Há agora um corte, uma outra situação, uma possibilidade criada a partir de uma insurreição estética contra os modos habituais de se pensar ou sentir um território. Ganha-se assim uma renovada condição: se cada um vive a vida como cenas que apenas se repetem ( o cotidiano) em um mesmo cenário (a cidade), agora é possível fazer, pela segunda vez, um primeiro filme, como se tudo não pudesse se repetir jamais. Marcelo Rezende










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